Archive for May, 2010

desejo de libertação

‘Maharaj: O desejo de acabar com todos os desejos é o desejo mais peculiar, tal como o medo de ter medo é o medo mais peculiar. Um impede-te de agarrar e o outro de fugir. Podes usar as mesmas palavras, desejo e medo, mas os estados não são os mesmos que os outros desejos e medos. O homem que procura a realização não está viciado nos desejos; ele é alguém que vai contra os desejos, não com eles. Uma vontade geral de libertação é apenas o início; encontrar os meios adequados e usá-los é o próximo passo. Aquele que procura libertar-se tem em vista uma única meta: descobrir o seu próprio e verdadeiro ser. De todos os desejos é o mais ambicioso, pois nada nem ninguém o pode satisfazer; quem procura e o que é procurado são o mesmo e apenas a procura importa.

Questão: A procura vai chegar ao fim. Quem procura permanece.

M: Não, aquele que procura vai dissover-se, a procura permanece. A procura é a derradeira e intemporal realidade.

Q: Procura significa falta, carência, privação e imperfeição.

M: Não, significa recusa e rejeição do incompleto e do imperfeito. A procura da realidade é o próprio movimento da realidade. De certa forma toda a procura é pela felicidade real, ou felicidade do real. Mas o que aqui entendemos como procura é a procura do próprio Eu como raiz da consciência, como luz por trás da mente. Esta procura nunca vai terminar, enquanto o desejo por tudo o resto tem de terminar, para que o verdadeiro progresso possa acontecer.

Temos de compreender que a procura da realidade, ou Deus, ou Guru e a procura do Eu são a mesma coisa; quando um destes é encontrado, todos são encontrados. Quando ‘Eu sou’ e ‘Deus é’ se tornam indistinguíveis na tua mente, alguma coisa vai acontecer e tu vais saber sem qualquer sombra de dúvida que Deus é porque Tu és, Tu és porque Deus é. Os dois são um só.’

Sri Nisargadatta Maharaj

 

agora

‘Ouvi de que falavam aqueles que falavam, ouvi o que diziam acerca do princípio e do fim,
Mas eu não falo do princípio nem do fim.

Nunca houve mais princípio do que agora,
Nem mais juventude ou velhice do que agora,
E nunca haverá mais perfeição do que agora,
Nem mais Céu ou Inferno do que agora.

Ímpeto, ímpeto, ímpeto,
Sempre o ímpeto procriador do mundo.

Das trevas avançam os opostos uguais, sempre a matéria e o incremento, o sexo sempre,
Sempre a malha da identidade, sempre a diferença, sempre a progenitura da vida.

É inútil pormenorizar, os cultos e os incultos sabem que assim é.

Mais do que certo, de pé e firme, muito firme, entalhado nas vigas,
Possante como um cavalo, afectuoso, altivo, eléctrico,
Aqui estamos, eu e este mistério.

Clara e suave é a minha alma, claro e suave tudo o que não é a minha alma.

Faltando um, faltam ambos, e o visível é prova do invisível,
Até que se torne invisível e por sua vez seja provado.’

Walt Whitman