Archive for November, 2009

prazer e dor

‘Maharaj: O que é que consideras que está errado com a tua mente?

Questão: É irrequieta, ambiciona o agradável e teme o desagradável.

Maharaj: O que há de errado em procurar o agradável e fugir ao desagradável? Entre as margens da dor e do prazer corre o rio da vida. Só quando a mente se recusa a fluir com a vida, e fica presa nas margens, é que se torna num problema. Por fluir com a vida refiro-me à aceitação – deixar vir o que vem e ir o que vai. Não desejar, não temer, observar o actual, como e quando acontece, pois tu não és o que acontece, tu és a quem acontece. Na verdade, não és nem sequer o observador. Tu és a derradeira potencialidade da qual a consciência que tudo envolve é a manifestação e expressão.’

Sri Nisargadatta Maharaj

 

quem sou eu?

‘É suficiente saberes aquilo que não és. Não precisas de saber o que és. Enquanto o conhecimento significar descrição nos termos daquilo que já é conhecido, perceptível ou conceptual, não pode haver algo como auto-conhecimento, porque aquilo que és não pode ser descrito, excepto como negação total. Tudo o que podes dizer é: ‘Eu não sou isto, Eu não sou aquilo’. Não podes verdadeiramente dizer ‘é isto que eu sou’. Simplesmente não faz sentido. Aquilo que podes apontar como ‘isto’ ou ‘aquilo’ não podes ser tu mesmo. Não podes ser certamente ‘outra coisa’ além de ti. Não és nada que seja perceptível ou imaginável. Contudo, sem ti não pode haver percepção nem imaginação. Observas o coração a sentir, a mente a pensar, o corpo a agir; o próprio acto de percepção demonstra que não és aquilo que percepcionas. Pode haver percepção, experiência, sem ti? Uma experiência tem de ‘pertencer’. Tem de aparecer alguém que a declare como sua. Sem haver alguém para experienciar, a experiência não é real. Quem experiencia é que concede realidade à experiência.’

Nisargadatta Maharaj