Archive for February, 2009

natureza

‘A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos.’

Rousseau

 

Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes

‘Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, “é uma pedra”,
Digo da planta, “é uma planta”,
Digo de mim, “sou eu”.
E não digo mais nada. Que mais há a dizer? ‘

Alberto Caeiro

 

realidade

‘A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente.’

Albert Einstein

 

consciência/atenção é identificação

(nota do tradutor: o texto seguinte pretende explicar o sentido da palavra inglesa awareness aplicada no contexto do yoga, como não existe em português nenhuma palavra que consiga traduzir correctamente este termo optou-se por usar consciência/atenção)

‘Quando se pratica yoga, por exemplo, asana ou pranayama, deve-se entender que o objectivo por trás destas práticas é desenvolver a consciência/atenção do praticante. Esta consciência/atenção não implica nenhuma rigidez ou tensão, é um modo bastante descontraído, gentil e fácil de estar consciente/atento. Consciência/atenção não é concentração, é identificação. Consciência/atenção não indica contracção, indica a apreciação de algo que existe e com o qual se cria identificação.

Um exemplo são as crianças pequenas. Outro exemplo são os chamados ‘yogis’ que tentam meditar. Sabem como é que os ‘yogis’ tentam meditar? Sentam-se, pegam no seu mala, começam por se concentrar na respiração, começam a repetir o mantra e a mover o mala. Mais tarde, quando vêem as suas mentes à deriva, aqui, ali, em Paris, na discoteca, em festas, dizem, “não me consigo concentrar!”. Ficam tão tensos e rígidos por sentirem que não se conseguem concentrar que a meditação termina. Em vez de descontrairem e deixarem acontecer o que tem de acontecer, tornam-se rígidos e tensos. Acontece por um dia, por uma semana, um mês, um ano, dez anos. Passados dez anos ainda dizem, “não me consigo concentrar, a minha mente oscila, a minha mente vagueia. Sinto que cheguei a um ponto de estagnação na minha prática, sinto que já não estou a avançar.”.

Outro exemplo é uma mãe. Quando a sua filha ou filho estão a estudar longe de casa e regressam passado algum tempo, a mãe espera pelo seu retorno com antecipação, e pensa, “que comida é que posso dar à minha criança? Pizza, spaghetti, sopa, chocolates…”. Ela cozinha as melhores iguarias, tendo em mente aquilo que a sua criança mais gosta. Por isso é que se diz “a comida da minha mãe é deliciosa!”, porque no fundo da sua mente os filhos são o mais importante e é a memória deles que a faz manifestar o que tem de melhor para lhes dar. Ela faz todas as suas tarefas, mas ao mesmo tempo existe identificação e antecipação, e ela vive intensamente a espera do regresso da sua filha ou filho .

Isso é consciência/atenção, identificação e reconhecimento, combinados com um sentimento de afecto e amor, combinados com um sentimento de dar o seu melhor. Isso é verdadeira consciência/atenção. Consciência/atenção não é algo que nos faça ficar tensos. Consciência/atenção é um processo de criação. É um processo muito bonito em que todas as faculdades estão focadas e trabalham em harmonia umas com as outras para alargar os horizontes da percepção. É esta consciência/atenção que eventualmente leva ao culminar do yoga. Por isso, quando dizemos “fiquem conscientes, fiquem atentos”, não é para que se tornem neuróticos acerca da consciência/atenção, mas para que possam apreciar a plenitude do ser, que acontece quando estão atentos e conscientes.’

Swami Niranjanananda Saraswati

 

avidya

‘Avidya (ignorância/conhecimento erróneo) é ver no efémero, no impuro, na dor e no não-ser, o eterno, o puro, a felicidade e o ser.’

Patanjali